quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Desafio além do jogo: mulheres enfrentam machismo até nos games


Entre consoles, teclados e aventuras virtuais, os games se tornaram um item quase indispensável para qualquer pessoa, jovem ou adulta. E como tudo na vida, as mulheres não ficaram de fora deste cenário por muito tempo. Mas elas enfrentam muito mais obstáculos do que os homens para poder ter um bom desempenho. As gamers precisam lidar com o machismo de muito marmanjo que ainda acredita que falar “vai lavar uma louça” é engraçado.


Para muitas mulheres que curtem games, a falta de respeito começa muito antes de apertar o start ou entrar no servidor: começa na escolha do avatar ou do nick. Isso porque quando identificada como mulher, alguns homens já querem adicionar no facebook ou até mesmo perguntar o que está vestindo (esta última história verdadeira, baseada em fatos reais). Elas precisam lidar com os outros jogadores, que de forma geral são divididos em dois grupos distintos: aqueles que as atacam, porque acham que elas vão estragar o time (unicamente pelo fato de serem do sexo feminino) e os que acham que elas devem ser defendidas desses ataques e das ameaças dos jogos.

A designer Renata Caraih, que tem contato com games desde os primeiros consoles (como Atari, Mega Drive e Super Nintendo), precisa enfrentar o machismo todas as vezes que vai jogar online. E como ela enfrenta isso? Ganhando ou fazendo altas pontuações. Porque não basta expulsar as invejosas no plano real, é preciso fazer isso no jogo também!

Ela conta que ultimamente está jogando o Clash OfClans, uma plataforma online para iPhone. No começo,Renata era a única mulherno clã do jogo e mesmo tendo troféus suficientes ela conta que não foi promovida a Anciã.  Adivinha qual foi a resposta que ela recebeu quando foi tirar satisfações? “(Você não foi promovida) porque você é menina”.

“Acho que no fundo os homens ainda se sentem acuados quando nos destacamos em uma área onde eles, até então, dominavam. E isso inclui os gamers”, afirma a designer, que também precisou ouvir desaforos por ter 26 anos e ser mais velha que outros jogadores. 

Apreciar e conseguir boas pontuações nos games tem sido um desafio para muitas jogadoras. E não porque o jogo é difícil, mas pela falta de respeito que chega a ser, no mínimo, contraditória, já que muitos acreditam que se a mulher ganha, ela ganhou apenas por ser mulher. O mesmo vale para quando perdem, por serem mulheres. 

E a melhor maneira de enfrentar isso? Não existe uma fórmula mágica ainda. Mas o que pode ser feito é simplesmente insistir em jogar, não desistir de fazer algo que se goste. “Eu faço por mim mesma o que tem que ser feito. O melhor é ganhar e ver a cara deles depois”,

Então, para os machistas de plantão, responda à altura.


Em dez anos, metade do mercado de jogos será composto por mulheres

Hoje, muito se fala sobre o machismo e as distinções claras entre homens e mulheres no mercado de desenvolvimento de jogos. Elas compõem hoje apenas 4% da força de trabalho no setor e, apesar de termos exemplos de cargos altos, a maioria está na parte de baixo da cadeia de produção, com salários e valorizações menores. Um prospecto que contrasta com o total de gamers, composto em 45% por mulheres.
As coisas, porém, estão mudando. E para Gary Carr, diretor criativo da Lionhead, em cerca de dez anos teremos metade do mercado de desenvolvimento ocupado por mulheres. Os motivadores para isso, diz ele, são os consoles portáteis e dispositivos móveis, menores e muito mais atrativos para ela. Por meio do pouco tempo livre, elas acabam entrando nesse mundo e, mais tarde, partem para consoles, experiências maiores e, eventualmente, trabalho.
Do lado das desenvolvedoras, já dá para observar um crescimento na diversidade dos currículos recebidos. Aos poucos, diz Carr, isso vai se refletir na força de trabalho. O diretor brinca: “não quero caras fazendo jogos para caras. Quero homens e mulheres fazendo jogos para homens e mulheres. Não quero mais sentar em um estúdio cheio de homens.”